Subestimei-me a esta altura da madrugada...
Nesta silenciosa e fria madrugada!
Estou a escrever versos, versos simples, versos tortos de sentimentos tantos,
que abafam o soluçar de minha alma.
Mergulho em ressonâncias de outras vidas, quem sabe se existam, possa
então explicar essa tragédia-comédia-de-sentir.
Trago para mim, o acalento de uma saudade nefasta, de ruas de um subúrbio francês,
daquelas ruazinhas estreitas, que espreitam a alma.
Estou aqui no acalento de uma casa familiar, entre risadas infantis, me mantenho protegida, mas quando outros dormem, eu na parteja madrugada me vou para longe, em busca dos meus...
Haverá por entre madrugadas os vendedores de inspiração?
Mas inspiração não se vende, se compartilha com os que não dormem...
Estou eu cá madrugada adentro, no arrabalde da minha alma.
Estou a escrever amores, daqueles que remetem saudades, inconstância, que transcende o tempo e o espaço, que fulgura o coração de quem apenas está no mundo e quer amar, quiçá ser amado, cortejado por umas dessas fragrâncias de poésie d'amour!
E eu estou a ferir a minha inspiração por tamanha vontade de escrever versos, cheios de desejos gotejados de essência sobrenatural [natural] vindo de um semblante amado.
...De tempos épicos vividos eu junto de ti.
E o que se há de fazer se escrevo amores?
Se eu descrevo nossas vidas encontradas e desencontradas pela linha do tempo,
pelo tênue desejo de nossas almas!
A madrugada sou eu em ti, enquanto tu apenas dormes!
quarta-feira, 23 de maio de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
Dádiva
Postado por
Mileidi Pavarini
às
17:57
Como dádiva foi me dado à percepção das coisas simples, do
etéreo!
- Mileidi Pavarini-
Nunca ninguém poderá dizer que você não crê. Porque você
sabe que quando olha para o céu e fica a admirar as estrelas e elas lhe
arrancam suspiros, é porque dentro de você tudo faz sentido na magnificente
criação!
-Mileidi Pavarini-
Eu, você, todos os seres humanos somos coisa de estrelas.
Nós estamos no universo e o universo está em nos.
No mais profundo sentido, somos todos cidadãos do cosmos.
- Carl Sagan -
[...] Sou eu assim tão cansada de tudo, mais cansada ainda
quando me falta vontade de solver, de me deleitar no regaço de um abraço terno.
Tão cansada de tudo. De tudo que jogaram em “meu colo” desde
tenra idade, da religião enfadonha em que me obrigaram a me agarrar em noites
de tempestades, onde o medo era feito os raios rasgando o céu da alma. Onde o
medo pairava com olhos de condenação. Pois eles me mostraram que havia um Deus
do castigo, um Deus da punição.
Por outro lado havia uma outra crença que me mostrava que,
mais do que qualquer outra, a que parecia ser a mais certa, mais madrigal, ao qual viera
para consolar, me agarrarei ela como se agarra ao um pedaço de tronco a deriva
em uma enchente de águas tão turvas.
Agarrai-me aos santos. Agarrei-me aos anjos. Agarrei-me aos
espíritos consoladores!
E foi aí que me desgarrei de mim mesma! Pobre criatura
humana em sua desonra foi habitar a crença dos que andavam perdido. Virou então
uma andarilha da vida, foi seguindo pela estrada tentando achar uma dádiva,
quem sabe assim pudesse enfim sentir o nirvana.
Ninguém entendia o porquê da sua reviravolta tão cheia de
amargura, de nuances vespertinos de uma vida insana, na demanda do que queria ter;
ver; sentir o mundo a sua volta, de uma maneira que nenhum escrito ou discurso
feito à base de religiões lhe servissem como base, instrumento...
Assim fui, minuciosamente pelo caminho, como a espreitar a
magnificente busca!
Cansada... Mantive-me!
Desistir me pareceu ser o mais correto, o mais sensato!
Mas algo ainda paira dentro de mim, como a me impulsionar
para algum lugar aparentemente desconhecido, um lugar que a impressão é que eu
já o tenha sentido, no mais puro da palavra, sentimento.
Sou eu assim tão cansada da busca! A busca de um Deus, o
criador!
Sou eu assim tão cansada...
Fecho os olhos, sinto a tarde se despedindo lentamente, os
últimos raios deste sol de outono!
De repente me vejo tão menina ainda a gracejar por um
jardim, delicadamente toco as pétalas de uma rosa, sinto a sua textura, sinto o
seu cheiro, observo cuidadosamente seus espinhos, penso em como uma flor tão
linda se arma de tamanhas garras para que se sinta assim tão protegida, penso
que assim seja a vida, delicada e hostil. Afasto-me e logo vejo uma borboleta
pousar em outra flor e observo que a pequena borboleta tão perfeitamente linda
com suas cores, desenrola um canudinho fino ao qual começa a sugar a flor, uma
flor margarida, depois de saborear ela alça voo para talvez outros jardins ela
se banquetear. Olho para os lados e vejo abelhas colhendo néctar, vou até umas
pequeninas flores onde com minha pequenina mão eu pego uma das abelhas, sem
apertá-la coloco minha mão perto do meu ouvido e fico ouvindo o zumbido da
abelha operária que logo solto agradecendo a ela pelo cantar que me ofereceste
delicadamente ao pé do ouvido.
No meu mundo infantil
era assim que eu conversava com Deus, era assim que eu acreditava em algo
mágico e sublime. No meu mundo infantil, na sutileza e inocência era assim que
eu orava, junto às criações ao qual eu fazia parte. No meu mundo infantil eu me sentia filha do universo, do encanto de
sentir, da ressonância do amor nos pequenos detalhes absurdamente lindos e
simples. Era eu assim tão cheia de fé ao qual podia sentir a energia tão
imensa, tão cheia de amor, tão natural, essa energia que eu chamo de Deus!
Abri meus olhos, o sol adormeceu no horizonte... Sou eu
assim tão cansada, mas ao mesmo tempo tão cheia de graça pelas saudosas e boas lembranças. E por enfim [re]encontrar o
que sempre esteve junto de mim, que fazia e faz parte de mim, que nunca haveria
religiões, crenças, escritos psicográficos que me revelassem tão profundamente
que a existência de algo, de se ter um nirvana é quando nos permitimos tocar a
vida com a pureza ao qual eu tinha quando criança, ao qual nunca deveríamos
perder que é o respeito, o amor por todas as criaturas, assim vejo Deus na
pequenina flor, na borboleta, na abelha, na aranha tecendo maravilhosamente sua
teia para um pobre insetinho despercebido se enroscar, na chuva mansa que cai,
no sol, no vento. Nas estrelas, a lua com quem passava horas a conversar, sim
ela era a minha confidente mais leal. Quando no meu balanço eu brincava de voar
e eu voava. E quando eu ia a pé sozinha para escola e ia escutando o sábia
cantando eu ficava maravilhada, mas tinha vez de ir para escola com outras
amiguinhas e íamos de mãos dadas, havia uma pureza e verdade ali, naquele gesto
simples: Mãos dadas!
...Nesse momento em que literalmente eu começo a despertar,
retirando o cansaço do meu coração, pois o que buscava tão arduamente estava
ali, o tempo todo me sussurrando as abençoadas inspirações, me permitindo tocar,
ver, cheirar... sentir, amar!
Essa é a existência ao qual eu me coloco em total comunhão
com a vida! Com a energia do universo!
Deus não construiu religiões. Deus criou o amor! E isso eu chamo de Dádiva do universo.
-Mileidi Pavarini-
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Postado por
Mileidi Pavarini
às
21:45
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Paulo Freire, uma vida de amor ao próximo
Postado por
Mileidi Pavarini
às
16:52
Eu gostaria de ser lembrado como um sujeito que amou profundamente
o mundo e as pessoas, os bichos, as árvores, as águas, a vida!
- Paulo Freire -
Paulo Freire, esta é uma história bonita e rica de sabedoria que vale muito conhecer.
Um exemplo de amor ao próximo, exemplo de perseverança, de se regaçar a manga sem esperar algo lá de cima (governantes)...
Exemplo de educador, de ser humano, aquele que veio ao mundo fazer a diferença, que soube usar sua profissão com AMOR.
Aquele que deu exemplo que serve não só para a área da pedagogia, mas para a VIDA!
Sua forma didática é hoje em dia muito difundida em muitos países. para quem interessar assista o vídeo, com certeza algo de bom você vai receber através desse documentário.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Pra ti faço uma prece
Postado por
Mileidi Pavarini
às
21:07
S. Valiant - Mileidi Pavarini
Hoje me lembrei de ti,
com aquela boa saudade de sempre...
Lembrei com carinho, daquele teu sorriso bom de cada dia!
Mesmo tentando evitar a dor da ausência, pensei em ti
em forma de oração.
Roguei a Deus para que ele mantenha teus caminhos sempre iluminados
e que teus sonhos mais bonitos fossem enfim realizados.
Pedi que tu não percas a beleza que carregas em teu coração.
Que junto de ti sempre esteja o amor de tua vida, sendo a tua companhia
mais querida. Desejei que fossem um para o outro, amparo e luz!
Pedi que nunca fiques sem amigos, para que eles sejam pra ti paz e conforto.
Ainda em minha oração pedi que tenha bons conhecimentos e ajude levar para
os que ainda não tem.
Pedi que sejas generoso e caminhe com alegria mesmo na luta ou na dor!
Que a luta e a dor sejam as lições para que eleve tua alma.
E sirva de exemplo de força e vitória para aqueles que perderam a fé.
Que a gratidão faça parte do teu bom caráter e nunca lhe falte a inspiração.
Amigo querido, a ti elevo o meu coração, pois esteja onde tu estiveres,
alguém faz uma prece para ti em forma de saudades.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Merci pour ton sourire
Postado por
Mileidi Pavarini
às
23:49
Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida:
Amor no coração e sorriso nos lábios.
Martin Luther King
E a minha alma alegra-se com seu sorriso, um sorriso amplo e humano,
como o aplauso de uma multidão.
Fernando Pessoa
Aquele era o princípio de que enfim minha solidez seria dissolvida por completa,
afinal foi olhando em seus olhos que pude ver a luz que se propagara de seu coração.
Ele me salvou da rigidez que tantos outros me causaram na dureza
de sentimentos vãos...
Ele tinha olhos de apaziguamento.
E eu jubilei na atmosfera daquele sentimento magnificente.
Olhando em seus olhos marquei o compasso de uma dança mística, me embalei na suave melodia que me prendia cada vez mais a ele.
Ele me salvou do declive da minha alma!
Ele me salvou com ternura quando me olhou,
mas foi em seu sorriso que me perdi completamente em sourires d'amour!
terça-feira, 17 de abril de 2012
John Atkinson Grimshaw
Postado por
Mileidi Pavarini
às
17:15
6 de setembro de 1836 - 13 de outubro de 1893, foi um artista da era Vitoriana.
![]() |
| In the Golden Glow of Autumn 1884 |
![]() |
| Liverpool from Wapping |
Particularmente as pinturas de John Grimshaw me faz ter vontade de entrar dentro dos seus belíssimos quadros. As paisagens são agradabilíssimas, diria repousante, de uma veia realista, chega a ser quase fotográfica.
Não sou de querer admirar algo ou alguém somente para exibicionismo, pois o que me agrada vou atrás e pesquiso para me aprofundar mais sobre a criação e o criador.
Nem tudo eu sei, nem tudo eu gosto!
Pois estou cansada desse intelectualismo exacerbado que anda a solta por aí.
Vou querer dividir conhecimento, não mostrar que tenho mais conhecimento do que você.
Por isso de vez em quando trago coisas que me agradam ao meu blog, para compartilhar.
E se agradar aos visitantes desse singelo blog, entre no site oficial e bom passeio inebriante nas pinturas de John Atkinson Grimshaw.
mais sobre o artista em: wikipédia
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Postado por
Mileidi Pavarini
às
23:17
A síntese do livro Iniciação De Um Menino Tímido e Outras Histórias de Letterio Santoro, amigo e membro da APEG.
"Nasceu a timidez: Pois nasce a timidez, onde morre a liberdade." ( Iniciação de um menino tímido)
Prematuro seria a minha opinião sobre este livro, ao qual fui lentamente acompanhando a narrativa daqueles personagens aos quais não se difere de mim. Tão humana em minha singularidade de espectadora de viver, em sua grandiosidade e atuante no sentir. Porém, posso detalhar a impressão deixada ao ler este livro. Então deixo claro que ao escrever não denoto opinião, mas concretizo no sentimento.
Abruptamente fui lançada ao caos daqueles personagens e junto deles era possível reviver novamente ou até mesmo deixar-se levar para sempre...
A pergunta que faço é: Quantas Martas, Beatrizes existem para dar-nos o conforto necessário? Observei-as com todo cuidado de ver se algo nelas era realmente humano, diferente dos outros personagens tão mergulhados em suas lutas íntimas e complexas. Concluí que tanto um como outro eram sim, humanos! "Anjos caídos", se rebelando contra as tradições rígidas, frias e sem mudanças reais. A diferença está na percepção de como eles viam e sentiam o mundo.
Extraí do livro algo que me povoa a alma já algum tempo: De onde vem esse caótico mundo dos sentimentos? Há uma ressalva ao qual me dou a liberdade de expressar, que ao mergulharmos para dentro de nós no turbilhão desajustado de nossos sentimentos, então haverá de se deliberar que ao travar essa luta íntima existirá a possibilidade de regressarmos mais vívidos e existirá aqueles que não voltarão, pois exaustos morrerão sem perceber que a semeadura é difícil mas necessária para uma boa colheita vindoura.
O caos é a paixão humana! A devasta paixão pueril só será exterminada onde o amor impera! Ao amadurecermos desabrochando na árvore da verdadeira vida que é o despertar da alma, libertando a nossa mente e vendo o mundo com outros olhos: O Despertar! Assim estaremos no caminho da redenção.
O caos se estabelece, então haverá partes flutuantes dos nossos sentimentos a deriva, resgatemo-los e em porto seguro do equilíbrio emocional os atraquemos.
Há em uma das passagens do livro onde se percebe que por mais castrado ou limitado para tais ações cujas são irrepreensíveis aos olhos da sociedade, sentimentos vários, como por exemplo o de querer seguir por outro caminho cujo não foi imposta pela família ou instituições. Então eu concluo o seguinte poderá estar você engaiolado, ou até mesmo por trás de muralhas ( como um trecho do livro na parte "Jericó, a cidade murada"), há algo que por mais gaiolas e muros nada retém a mente (pensamento), então por mais cativo que se possa manter alguém, a mente é um ser viajante, que explora na mais variadas formas, pois ela se move, constrói, destrói em questões de segundos. A mente é como um cavalo bravo, difícil de se domar, mas não impossível de amansá-lo e isso se faz puxando as suas rédeas com insistência e benevolência.
Estamos todos em busca da tal Terra Prometida, consciente ou inconsciente, a vigília é constante, o aprendizado também, há os que alcançaram a terra prometida e esperançosos esperam por nós.
Como citado no livro: "A Terra Prometida: Um novo pensamento!" Pra mim, em particular seria como já mencionado neste texto: O Despertar! O despertar da nova consciência. E onde ela se encontra? No AMOR.
Aos solitários, aos prostituídos, aos aflitos, aos sonhadores, aos frustrados, aos idólatras, etc., não fujam do escarmento se atirando ao fosso do desespero.
É possível através da leitura desse livro compreender ou pelo menos refletir o menino tímido que um dia fomos, é ou seremos enquanto entulharmos a paixão tão desnecessária para se viver.
Finalizo com um trecho do livro para reflexão: "E por que somos escravos e arrastamos conosco os grilhões da desventura? Porque não amamos!"
sábado, 7 de abril de 2012
Postado por
Mileidi Pavarini
às
20:32
Ninguém sabe tudo, por isso eu espero algo do outro
que me traga algum dos seus conhecimentos.
Faço desse conhecimento uma alquimia com os meus conhecimentos.
Assim gero a habilidade de me completar no outro.
Pois não agimos demasiadamente sós.
Alguém em um tempo distante segurou a minhas
pequeninas mãos e me ensinou a dar os primeiros passos.
Aprender requer humildade.
Ensinar requer amor.
que me traga algum dos seus conhecimentos.
Faço desse conhecimento uma alquimia com os meus conhecimentos.
Assim gero a habilidade de me completar no outro.
Pois não agimos demasiadamente sós.
Alguém em um tempo distante segurou a minhas
pequeninas mãos e me ensinou a dar os primeiros passos.
Aprender requer humildade.
Ensinar requer amor.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Em Busca da Curitiba Perdida
Postado por
Mileidi Pavarini
às
16:18
Dalton Trevisan
Curitiba, que não tem pinheiros, esta Curitiba eu viajo. Curitiba, onde o céu azul não é azul, Curitiba que viajo. Não a Curitiba para inglês ver, Curitiba me viaja. Curitiba cedo chegam as carrocinhas com as polacas de lenço colorido na cabeça - galiii-nha-óóó-vos - não é a protofonia do Guarani? Um aluno de avental discursa para a estátua do Tiradentes.
Viajo Curitiba dos conquistadores de coco e bengalinha na esquina da Escola Normal; do Jegue, que é o maior pidão e nada não ganha (a mãe aflita suplica pelo jornal: Não dê dinheiro ao Gigi); com as filas de ônibus, às seis da tarde, ao crepúsculo você e eu somos dois rufiões de François Villon. Curitiba, não a da Academia Paranaense de Letras, com seus trezentos milhões de imortais, mas a dos bailes no 14, que é a Sociedade Operária Internacional Beneficente O 14 De Janeiro; das meninas de subúrbio pálidas, pálidas que envelhecem de pé no balcão, mais gostariam de chupar bala Zequinha e bater palmas ao palhaço Chic-Chic; dos Chás de Engenharia, onde as donzelas aprendem de tudo, menos a tomar chá; das normalistas de gravatinha que nos verdes mares bravios são as naus Santa Maria, Pinta e Nina, viajo que me viaja. Curitiba das ruas de barro com mil e uma janeleiras e seus gatinhos brancos de fita encarnada no pescoço; da zona da Estação em que à noite um povo ergue a pedra do túmulo, bebe amor no prostíbulo e se envenena com dor-de-cotovelo; a Curitiba dos cafetões - com seu rei Candinho - e da sociedade secreta dos Tulipas Negras eu viajo. Não a do Museu Paranaense com o esqueleto do Pithecanthropus Erectus, mas do Templo das Musas, com os versos dourados de Pitágoras, desde o Sócrates II até os Sócrates III, IV e V; do expresso de Xangai que apita na estação, último trenzinho da Revolução de 30, Curitiba que me viaja.
Dos bailes familiares de várzea, o mestre-sala interrompe a marchinha se você dança aconchegado; do pavilhão Carlos Gomes onde será HOJE! só HOJE! apresentado o maior drama de todos os tempos - A Ré Misteriosa; dos varredores na madrugada com longas vassouras de pó que nem os vira-latas da lua.
Curitiba em passinho floreado de tango que gira nos braços do grande Ney Traple e das pensões familiares de estudantes, ah! que se incendeie o resto de Curitiba porque uma pensão é maior que a República de Platão, eu viajo.
Curitiba da briosa bandinha do Tiro Rio Branco que desfila aos domingos na Rua 15, de volta da Guerra do Paraguai, esta Curitiba ao som da valsinha Sobre as Ondas do Iapó, do maestro Mossurunga, eu viajo.
Não viajo todas as Curitibas, a de Emiliano, onde o pinheiro é uma taça de luz; de Alberto de Oliveira do céu azulíssimo; a de Romário Martins em que o índio caraíba puro bate a matraca, barquilhas duas por um tostão; essa Curitiba não é a que viajo. Eu sou da outra, do relógio na Praça Osório que marca implacável seis horas em ponto; dos sinos da igreja dos Polacos, lá vem o crepúsculo nas asas de um morcego; do bebedouro na pracinha da Ordem, onde os cavalos de sonho dos piás vão beber água.
Viajo Curitiba das conferências positivistas, eles são onze em Curitiba há treze no mundo inteiro; do tocador de realejo que não roda a manivela desde que o macaquinho morreu; dos bravos soldados do fogo que passam chispando no carro vermelho atrás do incêndio que ninguém não viu, esta Curitiba e a do cachorro-quente com chope duplo no Buraco do Tatu eu viajo.
Curitiba, aquela do Burro Brabo, um cidadão misterioso morreu nos braços da Rosicler, quem foi? quem não foi? foi o reizinho do Sião; da Ponte Preta da estação, a única ponte da cidade, sem rio por baixo, esta Curitiba viajo.
Curitiba sem pinheiro ou céu azul pelo que vosmecê é - província, cárcere, lar - esta Curitiba, e não a outra para inglês ver, com amor eu viajo, viajo, viajo.
O "Vampiro" fala de sua cidade. Texto extraído do livro "Mistérios de Curitiba", Editora Record, Rio de Janeiro, 1979, pág. 84.
Fonte: Releituras - Textos
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Procura-se Um Amigo
Postado por
Mileidi Pavarini
às
12:30
basta ter sentimento,
basta ter coração.
Precisa saber falar e calar,
sobretudo saber ouvir.
Tem que gostar de poesia,
de madrugada,
de pássaro, de sol, da lua,
do canto dos ventos e das canções da brisa.
deve ter amor, um grande amor por alguém,
ou então sentir falta de não ter esse amor.
Deve amar o próximo e respeitar a dor que
os passantes levam consigo.
Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão,
nem é imprescindível que seja de segunda mão.
Pode já ter sido enganado,
pois todos os amigos são enganados.
Não é preciso que seja puro,
nem que seja de todo impuro,
mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perde-lo,
no caso de assim não ser,
deve sentir o grande vácuo que isso deixa.
Tem que ter ressonâncias humanas,
seu principal objetivo deve ser de amigo.
Deve sentir pena das pessoas tristes
e compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças
e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos,
que se comova, quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos,
de grande chuvas e das recordações de infância.
Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer,
para contar o que se viu de belo e triste durante o dia,
dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade...
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água
e de caminhos molhados, de beira de estrada,
de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver,
não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
Para não se viver debruçado no passado
em busca de memórias perdidas.
Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando,
mas que nos chame de amigo,
para ter-se a consciência de que ainda se vive...
(desconheço o autor)
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Postado por
Mileidi Pavarini
às
22:03
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Postado por
Mileidi Pavarini
às
21:57
sábado, 28 de janeiro de 2012
Postado por
Mileidi Pavarini
às
18:53
De repente tenho em mim
A alma serena.
Ela baila a música
Dos que amaram
Muito pela vida
E fizeram do amor
A cadência dessa dança!
A alma serena.
Ela baila a música
Dos que amaram
Muito pela vida
E fizeram do amor
A cadência dessa dança!
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
O que é um poeta?
Postado por
Mileidi Pavarini
às
14:30
O que é um poeta?
Será, por acaso um artesão, um arquiteto?
Deverá andar pelo mundo com uma sacola de ferramentas
pesando-lhe, além de todos os males que carrega
e da beleza que intenta espalhar?
Qual o melhor poeta?
Quem premiará o verbo,
ainda que triste a rima
e canhestro o inventar, o texto?
Que trilhos deverão conter o verso?
Quem medirá sua largura e
a cor da alma de quem escreve?
Que outra sina terá, senão
(per) seguir o som de seus pés pisando
o fluído rumo do sentir?
Que falem os sábios,
em sua lábia racional que
só enxerga, do verso, o superficial,
aparentando não saber que há,
latente em cada poema,
ainda que breve,
o sangue, o reverso da alma,
o íntimo sentir de quem escreve.
- Saramar - http://eufeminismos.blogspot.com/
Será, por acaso um artesão, um arquiteto?
Deverá andar pelo mundo com uma sacola de ferramentas
pesando-lhe, além de todos os males que carrega
e da beleza que intenta espalhar?
Qual o melhor poeta?
Quem premiará o verbo,
ainda que triste a rima
e canhestro o inventar, o texto?
Que trilhos deverão conter o verso?
Quem medirá sua largura e
a cor da alma de quem escreve?
Que outra sina terá, senão
(per) seguir o som de seus pés pisando
o fluído rumo do sentir?
Que falem os sábios,
em sua lábia racional que
só enxerga, do verso, o superficial,
aparentando não saber que há,
latente em cada poema,
ainda que breve,
o sangue, o reverso da alma,
o íntimo sentir de quem escreve.
- Saramar - http://eufeminismos.blogspot.com/
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
De regresso a minha essência
Postado por
Mileidi Pavarini
às
21:00
A verdade é que prefiro que tenham impressões erradas sobre mim,
pois assim mostro minha essência apenas aos que merecem conhecê-la.
- L.S. Dias (Incontida)-
Mudar faz parte do ciclo da minha vida, embora a essência seja sempre a mesma.
Quando encontrei um obstáculo grande na vida, não desanimei ao passar,
pois com o tempo ele se tornou pequeno. Não porque diminuiu, mas porque eu cresci.
- autor desconhecido-
Há sinceridade acima de tudo, melhor dizer que, tudo hoje seja permitido ser falado.
Pois tenho a compreensão dos fatos ocorridos nos últimos meses, tenho a absoluta certeza que eu travei uma luta contra mim mesma, quando aceitei a batalha dos outros. Invadi a terra inimiga com uma inútil bandeirinha branca nas mãos.
Mas hoje estou a curar as feridas desta batalha vã, desta guerra fria.
Confesso que os bombardeios foram grandes, quiseram me atingir com terríveis palavras que explodiram bem perto do meu coração.
Quase capturaram minha alma, mas mesmo estando um pouco desfalecida reagi, pois fui me arrastando heroicamente até a fronteira, para o lado da onde estaria sempre segura.
A fronteira entre o ódio e o amor, enfim atravessei, em terras seguras do amor descansei meus olhos, enquanto deitada em grama de esperança, refazia as divinas forças do meu ser!
Hoje quase nem se vê as feridas, já bem cicatrizadas estão a desaparecer, é possível a renovação, é sim possível ficar inteira depois de uma batalha dessas.
Eu digo que venci?
Não! Não digo!
Digo apenas que guerrear é uma luta inglória!
O que eu quero hoje é pegar meu violão e fazer serestas ao recanto da minha essência de existir!
pois assim mostro minha essência apenas aos que merecem conhecê-la.
- L.S. Dias (Incontida)-
Mudar faz parte do ciclo da minha vida, embora a essência seja sempre a mesma.
Quando encontrei um obstáculo grande na vida, não desanimei ao passar,
pois com o tempo ele se tornou pequeno. Não porque diminuiu, mas porque eu cresci.
- autor desconhecido-
Há sinceridade acima de tudo, melhor dizer que, tudo hoje seja permitido ser falado.
Pois tenho a compreensão dos fatos ocorridos nos últimos meses, tenho a absoluta certeza que eu travei uma luta contra mim mesma, quando aceitei a batalha dos outros. Invadi a terra inimiga com uma inútil bandeirinha branca nas mãos.
Mas hoje estou a curar as feridas desta batalha vã, desta guerra fria.
Confesso que os bombardeios foram grandes, quiseram me atingir com terríveis palavras que explodiram bem perto do meu coração.
Quase capturaram minha alma, mas mesmo estando um pouco desfalecida reagi, pois fui me arrastando heroicamente até a fronteira, para o lado da onde estaria sempre segura.
A fronteira entre o ódio e o amor, enfim atravessei, em terras seguras do amor descansei meus olhos, enquanto deitada em grama de esperança, refazia as divinas forças do meu ser!
Hoje quase nem se vê as feridas, já bem cicatrizadas estão a desaparecer, é possível a renovação, é sim possível ficar inteira depois de uma batalha dessas.
Eu digo que venci?
Não! Não digo!
Digo apenas que guerrear é uma luta inglória!
O que eu quero hoje é pegar meu violão e fazer serestas ao recanto da minha essência de existir!
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Os Ombros Suportam O Mundo
Postado por
Mileidi Pavarini
às
20:38
Carlos Drummond de Andrade
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
31 de outubro: O Saci não veio... ou veio?
Postado por
Mileidi Pavarini
às
20:04
Este final de semana foi no mínimo curioso. Crianças
passaram em minha casa e disseram: - Doces ou travessuras? ( ainda teve uma que
disse: "doces, travessuras ou dinheiro"). Peraí. Dinheiro? Mas é
claro, é Brasil! Crianças aprendendo com os nossos políticos. $$...)
Mas concluindo, as
visitas inusitadas do "dia das bruxas".
Elas me perguntaram entoando um pequenino coro: "Doces
ou travessuras..." e eu respondi: - Nenhum dos dois!
Acho que frustrei sonhos [brincadeira] de crianças americanas ( crianças
dos Estados Unidos da América?).
Bom, no fundo não sou tão cruel assim! Meu marido pegou dois
pirulitos e deu para as crianças ( eu fui boazinha, pois eu deixei ele dar os
tais pirulitos, tem aí minha parcela de bondade) e essas saíram saltitantes,
mas não saltitantes que nem um saci (esse coitado, nem foi lembrado pelas
mesmas), e eu fiquei olhando aquela cena e concluí que o que vem de fora parece
mais bonito e não é cafona.
Cafona é curtir a cultura do Brasil!
![]() |
Será que ele conseguirá
digerir?
|
E afinal crianças são crianças, vamos deixar que elas
brinquem com as coisas do "tio Sam."
E nada melhor do que concluir esse meu texto com esse video dos Trapalhões - O Patrão Mandou:
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
A Louca
Postado por
Mileidi Pavarini
às
14:17
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
TABACARIA
Postado por
Mileidi Pavarini
às
14:20

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
- Álvaro de Campos, 15-1-1928
- Fonte: Poesias Selecionadas
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Solidão em dó menor
Postado por
Mileidi Pavarini
às
19:18
Porque dizer agora será lamentável!
Não há mais nada que possa reverter essa situação.
Quem chora hoje sufocado pelas palavras não ditas
é um tolo coração.
Que um dia olhou para o céu e acreditou que a noite estrelada
lhe trazia a inspiração para um ser amado!
Mas só o que havia mesmo era o céu, as estrelas...
E se podia ouvir ao longe uma triste canção.
domingo, 16 de outubro de 2011
Um bom livro por companhia III
Postado por
Mileidi Pavarini
às
14:49
Olhai Os Lírios Do Campo
Um título inspirador
que com toda certeza foi tirado do livro inspirador...
Sermão Da Montanha ( Mateus 5-7 )
"E por que vos inquietais com a vestes?
Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam.
Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não
se vestiu como um deles."
sábado, 15 de outubro de 2011
Um bom livro por companhia II
Postado por
Mileidi Pavarini
às
17:54
Sobre os
personagens, medito então citando o primeiro, o pai de Eugênio, um simples alfaiate,
de um semblante cansado, em minha opinião um homem solitário, pois a luta da
vida teria o vencido, lhe trazendo nos olhos as marcas de um espírito abatido, queixava,
mas sem raiva, ou amargura aparente, talvez ele tenha se acostumado a ser
infeliz e solitário ao meio aos outros.
A mãe
continha olhos de apaziguamento! Uma mãe, esposa, que trazia em sua vivência o
conforto de que Deus sempre os ampararia, sem muito entusiasmo de almejar
grandes conquistas, vivia as pequenas felicidades sem alterar seu ritmo, apenas
vivenciava com brandura. Cuidava dos afazeres sem amarguras, sem rumores...
E como disse o próprio Eugenio, "a mãe conseguia que todos vivessem em uma
pobreza limpa"
Figura de
uma dona de casa zelosa, mas sem muito apelo maternal, mantinha um certo brilho no
olhar ao contrário do olhar do marido.
E o que
dizer de Ernesto irmão de Eugenio, o que não levava a vida e nem os estudos a
sério, aquele ser humano que passa pelo mundo a vagar, sem ao menos sentir a
vida, só sentindo os vícios, sem se dar conta de que a vida é para todos, e
por mais pesado que pareça jamais deve se excluir da própria vida. Mas Ernesto
também é aquele filho que teve que abrir mão de ter a mesma educação do que o
irmão, pois um só poderia ser beneficiado pelos sacrifícios dos pais.
Então
culpar Ernesto, não sei, não acho justo, há um montão de coisas envolvidas, a
pobreza, a dor da alma, o emocional, enfim, no fundo acho que Ernesto sabia de
tal provação que "involuntariamente" teve que viver, procurando o
caminho mais amargo pra enfrentar tais dissabores, o vício e a solidão de si
mesmo!
Tem a
esposa de Eugenio, moça culta, de grande cunho intelectual, de vivência em uma
alta sociedade, incapaz de se rebaixar aos próprios sentimentos, mantendo por
uma pose quase plastificada, com sua polidez de ser algo irreal perante uma
elite... para uma sociedade hipócrita.
Reprimir
os sentimentos, onde não chorar seria quase um incólume, é viver no fino fio de
uma sociedade fingida, com seus "méritos" conquistados a base de se
obter status.
Não sou
contra pessoas de poderes aquisitivos, ou grande conteúdo intelectual. Acredito
pra quem ler o livro ou leu, na história se coloca o quanto pessoas vivem de
ostentações, e rótulos demasiadamente criando em volta de si um universo
totalmente obscuro, por conta da "sociedade."
O que
dizer do verdadeiro amor de Eugenio, a única mulher que ele amou em toda a sua
vida, Olivia.
Ela de
todos os personagens foi quem realmente envolveu a vida em seu coração, tinha
os olhos de ver, ouvidos de ouvir, sentia e via o mundo com toda a sua
capacidade genuína, que em minha opinião, era uma grande mulher, entendi quais
foram seus reais motivos em abrir mão da pessoa a qual ela também amava,
Eugenio.
Para o outro ser feliz e buscar o seu caminho,
Olivia teve que fazer escolhas difíceis, para que o outro em um futuro próximo
não fosse culpá-la por uma vida infeliz, ela deu a oportunidade para que seu
grande amor fosse vivendo com suas próprias
respostas da vida e fosse vivenciando com sua agonia de ambição o que era
melhor para si. Ela se manteve preparada pra receber dele a ingratidão ou o
reconhecimento de que ela teria sido uma grande mulher, que amou e por amor abriu mão do ser amado... Quando
li isso com 17 anos achei a atitude dela irreal, pois lembro de que tive esta
impressão da personagem, mas ao reler o livro só agora compreendi a atitude dela, pois a vida veio me mostrando que amar assim, é sim possível.
Essa
parte realmente é tocante espero que quem leu tenha aprendido algo com essa
personagem, com suas palavras de reflexão, visão de vida, coração humano cheio
de amor, em ter esperança mesmo que sofrido, em querer ter para a humanidade um
futuro de vida mais digno.
Por fim,
Eugenio, solitário e o mais rancoroso, sofrido com sua timidez desde criança,
com sua baixa estima, no seu complexo de inferioridade, odiava a vida ao seu
redor, amargo demais pra enxergar a vida em sua plenitude, ambicionava
elevações altíssimas na alta sociedade.
Eugenio é
pra mim, aquele personagem que você "odeia", pois ele vai te jogando na cara
todas as verdades de um ambiente, onde os rejeitados, maltratados pela
"sociedade" vivem.
Ele
demonstra aquilo que muitos sentem, mas tem medo de dizer, não muito por
ofender ao próximo, mas por mascarar sua verdadeira face, onde julgas o
próximo, sorrindo com desdém na frente e o apunhalando pelas costas, sem que o
mesmo tenha tempo de reagir, pois não sabe de onde vêm os "golpes".
Não é por
acaso que esse livro virou um Best Seller, vale a pena ler, reler, meditar,
sobre os personagens, cada um com sua particularidade, tão intensa, tão viva
entre nós. [E deixei alguns personagens de fora desse texto]
...A pergunta que não quer calar, quais desses personagens tão marcantes eu me identificaria
mais?
Bom, posso
dar alguma idéia de que estes personagens tão bem escritos dentro de uma
história fantástica, o grande escritor Erico Verissimo, com toda a sua
sensibilidade, ele descreveu, não eu ou
você, mas todos nós, a humanidade, com seus rótulos, com suas ambições, dores,
solidão,alegria, amor, etc. ...
Enfim, quais
desses personagens eu poderia ter sido, sou ou serei?
[Continua...]
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Um bom livro por companhia I
Postado por
Mileidi Pavarini
às
18:00
Este é um
livro que também quero homenagear, não por ter sido um best seller, sendo
traduzidos em vários idiomas, mas por trazer ao meu "mundo de reflexões"
novas formas de pensar, de sentir.
Pois um
livro bom tem essa capacidade de fazer em nós, talvez não mudanças bruscas, mas
mudanças suaves, de adquirir formas de pensar sobre algo que antes nem sequer
tivemos aptidões de pensar, refletir, sentir...
Como já
disse este livro foi realmente um Best Seller, mas mesmo se não fosse eu o
amaria (amo) da mesma forma!
Não busco
livros Best Sellers para aumentar o meu cunho literário, ou fazer parte do
grupo dos "intelectos", ao invés disso, eu gosto de LIVROS e não
importa se é de um escritor conhecido, ocupando uma cadeira literária...
Quero
escritor que tem o dom de tocar nosso sentir absoluto, que ao final do livro
nos faça com um suspiro brando, marejar
emoções!
Este
livro que tem um lugar especial na atmosfera literária da minha vida, foi lido
pela primeira vez quando eu tinha 17 anos, lembro que o adquiri em meu local de
trabalho, quando eu estagiava como professora, pois é quem diria já fui
"professora" por dois anos, onde me toquei da tamanha responsabilidade
que é ser um mestre, tive a humildade de reconhecer que eu não tinha tamanha
capacidade de lecionar, pois é uma das poucas profissões que realmente tem que
ter dom, tem que ter humanidade. Não que eu não tivesse humanidade, tinha e
tenho, só não tinha vocação pra tamanha responsabilidade.
Foi lá
neste local que colocaram livros para doar, pois receberam livros mais novos,
edições mais novas, e os livros mais velhinhos, rasurados, sem capa, etc., os
livros ficaram a disposição de quem se interessasse por eles, eu fui uma das
que queriam os tais livros, escolhi uns dez, dois ainda tenho comigo, Conto De
Um Aprendiz, e Olhai Os Lírios Do Campo, os outros aí terão que perguntar para
a minha mãe que os deu sem me consultar, pois é! (desabafei).
Mas estou
aqui pra falar do livro de Erico Verissimo esse grande escritor que através do
livro Olhai os lírios do campo, me fez apaixonar por outras obras dele.
O livro
da foto realmente é meu, mas não fui eu que o deixei assim neste estado de
"bem judiadinho", como já citei parágrafos acima, eu adquiri os
livros já bem maltratados, mesmo assim até que consegui recuperar a sua capa.
Mas o
Olhai, tem um bem querer a mais, pois quando o li aos meus 17 anos me trouxe
reflexões importantes, em querer saber o que realmente era necessário
ter/sentir em minha vida.
Como eu
Mileidi, sentia o mundo, como enxergava a
vida em sua total complexidade, questões de dinheiro, intelectualismo,
simplicidade, pobreza, amizade, amor, etc.,
Olhai Os
Lírios Do Campo, me fez realmente querer observar a vida, senti-la, pois já o
fazia em demasiado!
Este é um
livro que acabei de relê-lo, reli com outros olhos, outra idade, digamos com
certa vivência, bem diferente de quando ainda se tem apenas 17 anos, começando
a vida em sua misteriosa exploração. É fantástica a sensação de releitura de um
dos livros que marcaram a minha vida, me trouxe mais reflexões, sentimentos,
pois tudo agora se soma com a minha própria vivência.
Olhai os
Lírios Do Campo, um livro, um amigo...
[continua
nos próximos textos =D]
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Dalida - Avec Le Temps
Postado por
Mileidi Pavarini
às
18:20
Comme le temps passe, tout va ...
Tout est résolu
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Vereda da salvação
Postado por
Mileidi Pavarini
às
15:57
O perdão vai além da justiça humana; é perdoar aquelas coisas que absolutamente não podem ser perdoadas
Todos dizem que o perdão é uma idéia maravilhosa até que elas possuam algo para perdoar
C.S Lewis
Pedir desculpas não muda o que aconteceu. E perdoar não evita que tudo possa acontecer de novoSuh
Sabe a vida às vezes parece
que tem vários caminhos, o difícil é escolher um, pois só se anda em um caminho
por vez, mas daí a gente para, coça a cabeça, respira fundo e se pergunta: Qual caminho eu devo percorrer?
A escolha certa ou errada
está tudo em nossas mãos, nesta hora parece que tudo nos foge, a inspiração, a
razão, a emoção e, ficamos parados inertes, como se o caminho escolhido fosse à
única saída pra resolução de um problema, de uma tristeza, de uma solidão.
E de repente escolhemos,
claro depois de tanto pensar e pensar, ao ponto de afligirmos nosso coração,
esse coitado, que se põe aos gritos e nem assim ás vezes o escutamos.
Mas se fechássemos os olhos
e respirássemos fundo o que nós escutaríamos ele dizendo?
Ele diria as coisas mais
sublimes de: Perdoe, não aflijais, não desanime, não perca a fé, não desistas.
E já pensou se tirássemos os
"Nãos" da frente destas mesmas palavras, seria um desastre, leia de
novo sem o não na frente.
Mas uma palavra ficou igual,
nada sofreu com a ausência do não, a
palavra perdão, quando se perdoa fica mais leve, mas fácil de viver e conviver!
Mas perdoar é tão difícil, muitas
das vezes é mais por medo de sofrer de novo, de ser massacrado e de ter a tua
figura sendo humilhado em praça publica, de novo e de novo e de novo... e
quantas vezes eles puderem fazer isso. E sem falar do nosso impetuoso orgulho!
Mas daí entra outra questão:
Até que ponto é certo
deixarmos nos flagelar a alma?
Porque são dores mais do que
dores do corpo.
Por que seria o justo o
certo?
Até que ponto nós devemos
ser esses seres pacíficos e, deixar que o incorreto, o imoral, o corrupto, o
insano, o devasso avancem?
O perdão muitas vezes
confundido com baixa estima, com solidão, depressão ou em incutir temor.
O perdão tem que ser
complacente, disciplinado, altruísta, amoroso, capaz de olhar com olhos de amor
por seus algozes, seus bárbaros, seus difamadores com suas línguas que cortam
mais que lâmina, jorrando fofocas e destruindo relações de amor, família,
amizades...
Ah! Se todos soubessem
guardar as línguas na boca e não mais as estralassem como alcoviteiros da
vida alheia, não haveria tantas discórdias no mundo! Pouparíamos salivas!
Mais prudência pelo caminho
escolhido, sobretudo carregar como
amuleto o Perdão, pois por mais escolhas que façais, haverá sempre solto
pela estrada da vida os que levantarão o punho tirano contra ti e te julgarás
por tua face, por tua vestimenta e não pelo que carregas no coração que
entrelaça com tua alma!
E, sobretudo o mais irrevogável
e salvador é quando nesta estrada da vida, tu ajoelhaste com mãos em
agradecimentos lavando com lágrimas tuas faltas cometidas, ganhando o abençoado
Perdão, pois nesta estrada da
vida muitas das vezes foste tu também o
algoz de punho tirano, julgando pela face os teus irmãos!
Se tiveres esse perdão,
sinta então o jubilo que se derrama como chuva mansa lavando tua alma, lhe
trazendo um recomeçar e então é só escolher o caminho, siga na estrada da vida
acreditando que vale a pena ser bom, mesmo nas tempestades, nas adversidades do
cotidiano, esse cotidiano que nos serve em conta gotas a transformação.
O início da salvação é o conhecimento da culpa.
Séneca
domingo, 25 de setembro de 2011
Minha primavera tem nome: Laura
Postado por
Mileidi Pavarini
às
18:24
23 setembro de 2009 nascia uma florzinha rara e linda!
Céu de primavera
no jardim dorme a menina.
Qual a flor do sonho?
no jardim dorme a menina.
Qual a flor do sonho?
(Anibal Beça)
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Self (si-mesmo)
Postado por
Mileidi Pavarini
às
18:32
O que eu precisava mesmo era me libertar e não é qualquer liberdade,
que se conjuga
ou delibera, eu precisava mesmo era daquela liberdade que refrigera a alma,
que
me faria mais forte, mas digna de mim mesma!
Arrisquei-me, enumeras vezes, coloquei meu coração em uma corda bamba.
Fui medíocre ao ponto de contrair meu estomago.
...Achei que suportaria!
Mas não consegui, tive então que suportar de toda maneira, uma das piores
dores: A ingratidão.
A ingratidão porque é o que acontece quando a gente quer oferecer ao outro,
amor, lealdade, amizade e, o mesmo não lhe retribui o tal sentimento, aí vem
então à frustração.
O consciente grita desesperadamente para o inconsciente para que resolva
então o que permanece em oculto, que coloque de uma vez por todas para fora o
que mais dói... Se liberte.
Mas eu me pergunto o que teria de tão oculto em meu inconsciente, que ele
não me diz? Controla-me por um gesto de piedade, mantendo tais coisas em oculto
justamente para me manter protegida?
Não sei! Só sei que estou cansada de querer amar as pessoas, as quais eu pensei
que me amassem e nem precisariam me amar na mesma intensidade, mas só amar...
O que eu precisava mesmo era me libertar e não é qualquer liberdade, que se conjuga
ou delibera, eu precisava mesmo era daquela liberdade que refrigera a alma, que
me faria mais forte, mas digna de mim mesma!
E com isso não teria mais,digamos,o dedo podre pra escolhas de pessoas ao
meu redor. Eu teria o dom de boas escolhas, de amizades bonitas e sinceras e de
amores só sublimes, seríamos pessoas perfeitas uns para os outros.
Mas daí eu me dou conta de que nem eu sou tão perfeita assim e, talvez nesse
exato momento alguém possa estar me achando a laranja podre do cesto!
O que realmente posso fazer em relação a isso?
É viver, pois a vida segue...
E eu julgo ser incapaz de entender os seres humanos, tão complexos, cheios
de teorias, cheios de intelectualismo exacerbado, de muitos terem ainda traves
nos olhos.
Ah, como queria ser livre, amar... e ser amada! De quando se quiser abrir o
coração para o outro, for digna de ser respeitada por isso, pelo menos por
isso, pela coragem em abrir o coração, e que o outro não criticasse o que foi
escrito, mas respeitasse a dignidade de se abrir, abrir... abrir o coração!
Mas eu estou me estudando, melimetricamente, cada pedacinho meu, meus
gestos, meu inconsciente, consciente, minha voz, meus olhos, ouvidos, pra quem
sabe assim eu encontre a parte que mais me revela como realmente sou.
E pra quem sabe [re]descobrir que tudo já existia: Minha alma!
[e ela que guarda todos os meus mais
elevados e os menos elevados sentimentos]
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